
A manhã desta quinta-feira (29) foi marcada por um dos momentos mais emocionantes e significativos da programação do intercâmbio técnico da Rede ColaboraAPS, promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Realizada na Câmara de Vereadores, a consulta pública de fibromialgia reuniu pacientes do programa municipal, familiares, profissionais de saúde, representantes da Fiocruz e visitantes de outros municípios para uma grande roda de escuta, troca de experiências e fortalecimento do cuidado humanizado.
O encontro foi conduzido pelo coordenador do programa de fibromialgia em Barreiras, Bruno Ramos, e pela médica da rede municipal Jheiny Glier, que destacaram a importância de abrir espaço para a fala dos pacientes — algo considerado parte fundamental do tratamento. De acordo com a médica, esse espaço de fala tem papel terapêutico e educativo. “Esse momento é extremamente importante, principalmente para as famílias, porque muitas vezes os pacientes não conseguem compartilhar suas dores e angústias dentro de casa. Quando eles falam, todos entendem melhor o que foi vivido, e isso fortalece o apoio e o cuidado no dia a dia”.
Durante a atividade, diversos relatos mostraram a longa e difícil trajetória enfrentada por pessoas com fibromialgia até o diagnóstico correto. Para preservar a identidade dos participantes, os nomes não serão divulgados, mas as histórias revelaram anos de sofrimento, incompreensão e busca por respostas. Uma das pacientes contou que já havia passado por três consultas médicas e saía dos atendimentos sem esperança, acreditando que o problema “estava na cabeça”. Somente após chegar outro profissional que viu, pela primeira vez, o nome fibromialgia. Ela conta que logo o tratamento mudou sua vida.
Outra participante relatou que passou anos sob suspeita de lúpus, até receber, em 2019, o diagnóstico correto de fibromialgia, o que permitiu iniciar um cuidado mais direcionado e eficaz. Também houve o depoimento de uma paciente que descobriu a doença apenas aos 46 anos, após enfrentar dois episódios de tentativa de suicídio. “Eu voltei a viver. Me senti mais feliz por não ser taxada de louca. O apoio da família é o que faz a diferença”, relatou, reforçando o quanto o diagnóstico e o acolhimento transformaram sua forma de lidar com a dor.
O coordenador Bruno Ramos destacou que a fibromialgia é uma doença complexa, que pode ser desencadeada por diferentes fatores. “Traumas, estresse, fatores genéticos, disfunções do sistema nervoso, infecções e inflamações podem estar relacionados. Mas, na maioria dos casos, há uma forte associação com perdas, frustrações, tristezas e outros fatores emocionais que acabam desencadeando o quadro. É uma doença de dor crônica, que exige compreensão, acompanhamento contínuo e olhar humanizado”.
Encerramento da programação
Após a atividade da manhã, a programação do intercâmbio seguiu no período da tarde com a troca final de saberes entre os participantes da Rede ColaboraAPS, momento voltado à avaliação da experiência vivida em Barreiras, compartilhamento de aprendizados e encerramento das atividades da visita técnica.
Para a secretária municipal de Saúde, Larissa Barbosa, os dias de intercâmbio reforçam o acerto da política pública implantada no município. “Barreiras mostra, na prática, que é possível organizar uma linha de cuidado resolutiva e humanizada dentro da Atenção Primária. Receber a Fiocruz e representantes de outros municípios valida o trabalho das nossas equipes e fortalece ainda mais essa rede de cuidado, construída com base em evidências científicas e, principalmente, na escuta dos pacientes”, avaliou.












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