Em Barreiras, criatividade, sustentabilidade e valorização cultural se encontram em um espaço dedicado à formação e ao desenvolvimento de novos produtos a partir de materiais naturais e itens que poderiam ser descartados. Mantido pelo município através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade e Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, o Projeto Travessia funciona de segunda a sexta-feira e atua como uma escola de formação, promovendo o resgate cultural e fortalecendo iniciativas ligadas à economia verde, criativa e solidária.
A proposta é capacitar pessoas de diferentes comunidades para transformar matérias-primas brutas em peças de arte contemporânea, produtos utilitários, acessórios e itens de moda, agregando design, funcionalidade e identidade cultural às criações. O trabalho também alcança comunidades do sertão e iniciativas relacionadas ao turismo de base comunitária, criando possibilidades para que os participantes desenvolvam seus próprios produtos e possam comercializá-los posteriormente.
No espaço, os participantes têm contato com diferentes técnicas e elaboração de protótipos, podendo escolher aquilo que desejam aprender e desenvolver. Entre os materiais utilizados estão sementes de espécies do Cerrado, como buriti, macaúba, jatobá, patiúba e açaí, além de madeiras, cascas e fibras naturais.
O buriti é uma das principais matérias-primas utilizadas. A partir de cortes, polimento e pigmentação, as sementes são transformadas em diferentes formatos, enquanto suas fibras são utilizadas na confecção de bolsas, suportes e outros objetos. A palha do milho também ganha novas possibilidades, assim como retalhos de tecidos, que são reaproveitados na produção de peças em patchwork.
Para Maria da Penha, responsável pelo trabalho de formação, o diferencial está justamente na união entre criatividade, design, funcionalidade e história. “Não é só ensinar a fazer o produto, mas toda essa linguagem que incorpora ao produto. O produto artesanal, diferente da indústria, tem uma história. Aqui, a nossa linguagem é um certificado de origem, onde a gente pode contar a história do artesão, da comunidade ou do próprio projeto e apresentar para o Brasil”, explica.
Conhecimento que se transforma em renda
As Associações de Rio de Pedras, Rio Branco e a Asbart, já passaram pelas capacitações oferecidas pelo projeto. Depois da formação, os grupos levam suas produções para feiras populares e outros espaços de comercialização. A história de Maria José é um dos desses exemplos que demonstra como o conhecimento adquirido pode se transformar em profissão.
Após seis anos de participação no projeto, ela criou o próprio ateliê, o Zezé Mariartes, e atualmente comercializa suas peças para cidades como Salvador e São Paulo. “Graças a Deus, tive a oportunidade de aprender. Já tenho minha empresa e mando meus produtos para São Paulo e Salvador. Para mim, é a minha profissão e eu me sinto muito feliz com isso”, conta.
Além de estimular novas possibilidades econômicas, o projeto também utiliza o artesanato como ferramenta de valorização do Cerrado e de seus recursos naturais. As sementes, fibras e demais materiais utilizados nas peças passam por processos de transformação que valorizam suas características naturais e ampliam seu potencial artístico e comercial. Um dos trabalhos desenvolvidos no espaço é um painel confeccionado com sementes do Cerrado para o Escritório das Mulheres do Agro, em Luís Eduardo Magalhães. A peça está sendo produzida integralmente no município, utilizando matéria-prima regional. A iniciativa reforça a ideia de que a biodiversidade pode inspirar produtos inovadores e, ao mesmo tempo, contribuir para a preservação da identidade e dos saberes tradicionais.
FONTE: DIRCOM/PMB












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